quarta-feira, 3 de julho de 2013

SUMMER SESSIONS





Uma crónica de Verão tem sempre muito que se lhe diga. E tem, principalmente, porque como a “Silly Season” costuma ser a patetice pegada em quase todas as áreas, escrever coisas sérias parece-me também pretencioso...

Sublinho o quase, porque se houver, no entanto, a viabilidade de algum motivo sério de conversa... talvez essa seja a da área da Música. Sim, é a época aurea do rodopio de internacionais, cá a poisar na terrinha. E cada canto vai ter um. Ou mais.

Festivais “à séria”, festas “da terrinha” e populares, discotecas da moda e “disco-nights” da aldeia... tudo vai ter os seus Steve Angelos, David Guettas e Axwells da vida , os seus Allessos e  Hardweels , Sashas milionários e  com quase pornograficos cachets...

Eles vão a todas. Desde a grandes certames de qualidade, com outros grandes nomes comerciais lado a lado no cartaz, como se “sujeitam” a locais estranhos em que o dono é um qualquer novo rico  do local que decide “ fazer mexer” a terriola e desenbolsa 50 mil euros para um destes monstros da house music, tocar a seguir ao residente Huguinho, Zézinho ou Luisinho...

Por isso é que o meu Amor pela música eletrónica se mantém fiel a alguns dos que considero “Estrelas “ à séria, não porque exigem 100 mil euros por set, mas porque mantém a coerência e o cuidado quanto aos eventos em que se envolvem.

Ritchie Hawtin, Plasticman, Marco Carola, Dubfire, Steve Lawler, Loco Dice.... são alguns aos quais , sim, tiro o chapéu. Tocam no que considero os melhores Clubes. E há uma real diferença entre Discoteca e Club. As primeiras são para massas, os segundos para amantes de Música. E para estes estes senhores não há cá “ pão para malucos”... tocam e tocam bem, não há cá buzinadas e loops de 2 minutos. Eles continuam a encantar e são elitistas nos sítios que escolhem para trabalhar e por isso.. os sítios também fazem “nome” ligado a eles.

A bola de neve é esta: um dj e um estilo, fazem a onda do espaço e o espaço onde toca, vai criando pouco a pouco a verdadeira credibilidade do DJ.

Os nomes que falei também são grandes e não podem sequer ser considerados “ alternativos”, mas basta não serem “vendidos” e manterem a sua linha musical para os aplaudir de pé. Não vivem do hit do momento, mas sim da carreira consolidada, não arrastam os miudos de 18 anos mas o público da minha geração, dos 30, os que cresceram com o puro house e com o tecno apurado. Para mim, a base de tudo o resto.

As festas, nesta altura multiplicam-se. Mesmo!! Cada beco tem a sua e parece que o dinheiro cresce, num tempo de crise anunciada, vivida e choramingada  por quase todos - mesmo na noite, onde tantas casas têm fechado portas -  para competir com o “vizinho” do lado que trouxe o dj X ou Y. Por vezes, batalhas ganhas, por vezes perdidas. E a  quantos lamentos de produtores, já assisti, quando ao investirem largos milhares “ certos de retorno”, se tornam menos certos e perdem outras tantas milenas, que inviabilizam os Verões e Invernos seguintes.

Quero chegar ao seguinte: Dj de renome já foi dinheiro certo em caixa, já lá vão os tempos em que se gastava 100 mil para ganhar 300... Mas nessa altura, haviam 4 ou 5 festivais, não 50. Mas nessa altura os djs conceituados eram 10 no mundo e não 100. Mas os cachets a que chamávamos milionários eram de 10 mil euros e não 100 mil. As apostas hoje em dia já não são tão certeiras, há quem se ria e há quem se chore. E depois ainda há os “ sets de merda” a que nos submetem por ser o que o povinho que enche as casas quer ouvir..

Uff... Volto à carga. É Verão, “silly season” e a melhor altura de trabalho, com mais mercado  para os djs, com mais público na rua, com mais dinheiro para gastar. Mas é também, cada vez mais, nos tempos que correm, altura mais do que obrigatória para fazer triagem. Não ir a “todas” (nem como dj e muito menos como público) e, a não ser que se vá para “ ver as gajas”..., escolher a vibe e a qualidade musical que se procura e aí sim... seguir a “Yelow Brick Road” até... ao bom festival mais próximo!

Neo Pop, Refresh e numa onda mais comercial Azurara... Para mim são os eleitos. Não que seja lei, mas é a minha opinião até porque o Verão é feito de brisas e por aí vão sempre existir os momentos que elegemos como nossos e marcantes, as memórias que farão parte da nossa vida e claro, sempre com a banda sonora perfeita, a que se adequou à hora certa, e com  a batida que tinha que ser. 

A procura é nossa, a escolha também, a coerência faz parte dessa escolha. E quem ama a Club Scene, sabe do que falo, não sabe?.

Bom Verão e encontramo-nos por aí? Nas boas e quem sabe, até nas mediocres festas! 

Como dj, rp e music Blogger... no fundo, terei que “ papar” com o bom e com o mau, para poder falar com conhecimento de causa e claro... ganhar o meu ;)


Certo?

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